A QUEDA DO ANJO
Escrito
por Allan Fear
(CONTINUAÇÃO
DE “A INVOCAÇÃO DE LÚCIFER”)
1
Assentava-me na nuvem
mais elevada naquela noite de verão sob o brilho pálido da lua cheia.
Eu observava as tolices humanas, instigando com meu poder
mental a dúvida, a desconfiança, o ciúme e a ira naquelas figuras patéticas
feitas de carne e ossos que se arrastavam pelo solo como lesmas...
Tão cheios de escuridão, os pobres mortais absorviam
minha influência negativa e, sem jamais questionarem o pensamento alheio, se
submetiam a minha vontade, iniciando brigas, desavenças e até mesmo
assassinato!!
Eu sou aquele que veio do eterno, feito de luz e graça,
criado para servir, mas graças à rebelião, tornei-me livre.
Aprecio jogar com os humanos, mostrando ao pai o quanto
são fracos, miseráveis e perversos.
Foi hilário instigar o desejo daquele belo rapaz a virar
o rosto e fitar as belas pernas nuas daquela loura de vestidinho sentada na
mesa ao lado da sua. Sua esposa viu e logo a briga começou. Apenas um olhar e
logo a bela loura teve o crânio rachado com um golpe de garrafa.
A jovem esposa, enciumada, simplesmente cometeu seu
primeiro assassinato e conseguiu destruir seu casamento, tudo porque não pôde
conter as trevas que apenas dormiam em seu interior.
“Ah, Pai! Estás a ver o quanto esses humanos são maus?”
“Hahaha... Nós jamais nos curvaríamos diante desses
animais primitivos.”
Enquanto me deliciava com aquela cena, a nuvem começou a
se tornar rala e senti-me caindo.
2
“Oh! Como isso é possível???”
“A gravidade da terra não tem efeito sobre meu corpo
espiritual feito de luz, no entanto estou caindo, como isso pode estar
acontecendo?”
Aprumei minhas asas brancas e bati-as, foi quando as vi
se tornarem negras como asas de um corvo.
Então as penas começaram a se soltar e uma aflição
obscura preencheu meu ser com amargura e medo.
Eu, um anjo rebelde que ganhou a liberdade, estava caindo
novamente. A queda do paraíso angélico representou liberdade, uma escolha, mas
agora eu estava caindo no tenebroso mundo dos humanos.
Eu sentia medo, mas porque?
A queda não poderia causar-me nenhum dano, bastou-me
ficar próximo dos humanos para ser influenciado por suas tolices.
Hahaha...
“Queres tirar minhas asas pai? Pois que as tire, eu
voarei com novas asas negras e farei seus preciosos humanos revelarem todas as
trevas que habitam dentro deles, farei com que esse seu precioso planetinha
azul se torne um mundo de pecado e guerras...”
3
“Oh! Mas como???”
O terror tomou conta do meu ser quando percebi-me de que
estava a cair na diagonal, como se alguma força poderosa estivesse me puxando,
afinal não era a gravidade, mas outra coisa que me atraía.
Mas o que neste mundo tridimensional teria poder o
suficiente fazer isso comigo?
Eu me aproximei das ruas e casas enquanto era puxado por
essa força terrível. Então fui sugado para um prédio, vi corredores, pessoas,
pacientes deitados em seus leitos enquanto meu corpo astral atravessava as paredes.
Meus olhos energéticos se encheram de horror quando,
finalmente, cheguei à origem daquela força magnética que me puxava. Eu vi
médicos e uma mulher deitada de costas sobre uma cama hospitalar, vi a dor em
seus olhos enquanto ela gemia e apertava o colchão com seus dedos trêmulos.
Eu vi sua grande barriga.
O
terror, mil vezes pior do que é a morte para os humanos, me fez estremecer
quando finalmente compreendi a sentença do pai, ele condenou-me a armadilha
humana, a terrível prisão sem muros feita de carne e dor.
Desesperado, sem ter para onde fugir eu comecei a gritar
a plenos pulmões...
Mas de meus novos lábios minúsculos feitos de carne e
sangue, o meu grito se tornou um choro irritante quando a mulher por fim deu à
luz a um menino.
Buuuuuáááááááááá!!!
FIM
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