A INVOCAÇÃO DE LÚCIFER
Escrito
por Allan Fear
1
-Nós te invocamos
Lúcifer, - Entoava em voz gutural o Satanista com a adaga na mão. –Venha até nós
Satã!!
No porão iluminado por velas pretas e vermelhas,
reuniam-se três jovens rapazes com túnicas negras e sigilos pintados na testa
com sangue.
Deitado, amarrado e amordaçado sobre uma mesa de pedra,
jazia um jovem rapaz ferido e sem camisa.
Um dos satanistas, em posse de um grosso grimório, leu
porcamente palavras em latim para chamar o diabo para o sacrifício.
-Mate
esse imbecil que com certeza nosso senhor irá se manifestar e atender nossos
desejos! – Falou um dos jovens com o rosto submerso nas trevas do capuz, com
seus olhos brilhando à luz das velas.
Obediente
o comparsa ergueu a adaga ensanguentado sobre o peito da vítima pronto para ceifar
sua vinda ante seu olhar assustado.
2
Foi então que um vento
frio arrepiou os pelos das nucas dos rapazes e antes de cometer o assassinato,
viram a manifestação espiritual diante do altar do sacrifício.
Primeiro o ar pareceu se adensar como se houvesse uma
névoa flutuando sobre o solo, então se tornou luminosa e formou uma silhueta
angelical, com asas abaixadas e um manto distinto.
-Oh! O senhor veio, Mestre Lúcifer!
-Hail Lúcifer!
-Isso!!
Eu sabia que esse grimório valeria a grana que gastamos!!
Os
jovens estavam fascinados com a manifestação espiritual, era a primeira vez que
finalmente um ritual deu resultado.
A
luz ofuscante foi dissipando-se e por fim revelou a entidade que os encarava
com um certo desprezo. Era um homem alto, trajando vestes antigas de cetim
vermelho e amarelo, asas brancas nas costas e rosto de uma beleza indizível, de
traços finos e olhos azuis e cabelos longos e louros.
A
entidade ficou em silêncio e colocou-se a estudar o rapaz ferido preso à mesa
de pedra.
-Vamos,
Satã está esperando você matar o cara! – falou um dos rapazes.
-Isso,
ele anseia por seu sangue!
Novamente
o rapaz ergueu a adaga, então Lúcifer lançou lhe um olhar melancólico e
sombrio.
-Julgam
que me alimento de sangue, matam em meu nome e dizem adorar me! – Falou Lúcifer
com sua voz onipotente de tom triste e vago. –No entanto eu jamais me opus a
vossa vontade, eu sou aquele que caiu dos céus justamente por defender a
liberdade de expressão, por querer tornar-nos livres!!
-Mas
o pai não aceitou, ele lançou-me no inferno e fez seus filhos espalharem a
mentira de que eu sou o diabo, a perdição eterna!!
Os
jovens apenas observavam o espírito falar, sem reação, maravilhados.
-Não
bastou banir-nos do paraíso, - Disse Lúcifer erguendo sua mão e com um poder invisível
libertando o jovem prisioneiro. –ele tem aprisionado meus anjos em corpos
humanos, humilhando-os e castigando-os, obrigando-os a se voltarem contra mim.
-Mas
do que ele está falando, ei vai libertar o cara? – indagou o jovem com a adaga.
-Finalmente
te encontrei Aziabel! – Falou Lúcifer quando o rapaz ferido sentou-se na mesa e
se voltou para o Arcanjo.
3
-Meu
nome é Gabriel, não entendo o que você está...
-Mas
que diabos, vocês vão ficar de papo, eu invoquei o diabo para me dar riqueza e
fortuna!! – Gritou um dos rapazes tomando a adaga do amigo e desferindo um
golpe em Gabriel.
Então,
rápido como o gamo das montanhas, Lúcifer estalou seus dedos e os olhos do
rapaz com a adaga se tornaram negros como a noite e ele usou o a arma para
fazer uma chacina, primeiro enterrando-o no peito do comparsa que estava mais
próximo, em seguida nas costas do outro que tentou fugir se suicidou
apunhalando a própria testa.
-Oh!
Deus!! O que é isso – Gritou Gabriel saltando da mesa aterrorizado. –O que você
fez? Você os matou?!
-Eu
apenas deixei as trevas dentro deles fazerem o que tinham vontade a muito
tempo. Esse é o ego humano em ação. –Falou Lúcifer calmamente. -É triste ver o que se tornou nesta
armadilha humana meu caro Aziabel, deixe-me clarear sua memória.
Lúcifer
tocou a testa de Gabriel, gerando um pequeno lampejo de luz e o rapaz começou a
gritar ante a revelação assustadora!
CONTINUA
EM
“A QUEDA DO ANJO”.
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