O SENHOR DA NOITE

 

O SENHOR DA NOITE

(Escrito por Allan Fear)


1

Eu fugi do dia como o diabo se esconde da cruz. O sol morto se pôs atrás das montanhas do norte e a terra se tornou fantasmagórica como os vales do Umbral.

            Num céu negro como carvão a lua brilha, lançando-me vossa luz pálida que acalenta minha dor.

            Eu sinto as trevas ganharem sua liberdade na calada da noite e eu posso ser quem eu sou.

            É hora de deixar meu caixão e bater minhas asas noturnas em busca de alimento.

            A sede tortura minha alma condenada, eu anseio pelo néctar quente. Quero viver novamente a aventura sinistra da sedução, do encanto e então degustar o sabor da noite.

 


2

            Minha beleza é uma arma mortal. Na noite eu me misturo aos jovens aventureiros nas casas noturnas, eu sinto a música eletrônica vibrar em minha pele em meio à batida de tantos corações. Eu também sinto o aroma do sangue que pulsa nas veias dos jovens causando-me uma profunda excitação, é como uma ereção, mas nesse caso são minhas presas que crescem.

            É tão simples, basta exercer meus encantos e escolher a vítima perfeita, Oh! Mulheres de vermelho são as minhas favoritas!

 


3 

            Logo estou ali, na boate, beijando aquela linda morena de olhos verdes, deixando-a louca de desejos, preparando seu sangue para que fique com o melhor sabor possível.

            Eu a arrasto para um dos banheiros imundos e quando ela está pronta, cravo meus dentes fundo em seu pescoço e começo a sorver seu sangue vermelho-brilhante.

            Oh! Como é saboroso esse néctar! Minhas forças são revigoradas e por breves segundos é como se eu sentisse o pulsar da vida dentro de mim novamente.

            Naquele ínfimo instante de profundo orgasmo eu revivo o dia em que fui mordido por uma bela e sedutora vampira, eu consigo sentir novamente aquela sensação estranha e profunda de a vida deixar meu corpo, o arrepio intenso, a aflição descomunal e o mergulhar de minha alma na mais profunda escuridão.

            Eu sei que estou morto, sou um vampiro, tornei-me um senhor da noite desprovido de emoções e tudo que me resta é o sangue dos vivos para recordar-me da doce sensação do pulsar da vida.

             Enquanto o cadáver sem vida da bela moça de vestido vermelho tomba aos meus pés e as últimas gotas de seu sangue escorrem por minha garganta, embora mais forte, com as forças revigoradas, eu sinto um vazio dentro de mim. A noite está a findar-se e é hora de regressar para meu castelo e repousar em meu caixão para um sombrio sono sem sonhos.

 FIM


OFERTAS ESPECIAIS PARA UMA EXPERIÊNCIA SINISTRA!!









Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A INVOCAÇÃO DE LÚCIFER